Entre os diagnósticos e tratamentos médicos aos quais nos acostumamos nos últimos anos, um conjunto de tecnologias emergentes tem contribuído para revolucionar a forma com a qual lidamos com as doenças. Chamada de medicina de precisão, a nova abordagem foca na individualidade do paciente, ou seja, customiza os tratamentos de saúde com base nas características genéticas das pessoas e suas respostas às enfermidades.

Até hoje, a grande maioria dos tratamentos médicos no mundo foi organizada no sentido de atender a um “paciente médio”, como se pudéssemos oferecer uma espécie de remédio universal que desse conta de curar todas as doenças. Diferentemente dessa forma de tratar, que pode funcionar para alguns, mas não para outros, a medicina de precisão leva em conta diferenças individuais tanto nos genes quanto nos ambientes e estilos de vida de cada um.

Pelo seu imenso potencial para agregar valor aos cuidados de saúde, melhorando resultados e reduzindo custos no longo prazo, uma nova abordagem foi lançada em 2015 nos EUA, com o nome Iniciativa Medicina de Precisão. A ideia era reduzir os gastos com saúde como proporção do PIB do país. “E se combinar uma cura de câncer com nosso código genético fosse tão fácil, tão padrão?”, indagou na época o então presidente Barack Obama.

A resposta está nos genes

Fonte: Shutterstock/Reprodução.Fonte: Shutterstock/Reprodução.Fonte:  Shutterstock 

A resposta está nos genes

Embora a medicina de precisão seja um conceito relativamente novo, suas bases foram lançadas durante as pesquisas tradicionais de novos medicamentos, nas quais os indivíduos acometidos pela doença que se quer curar passam pelo tratamento testado. Chamados de estudos duplo-cegos, randomizados ou não, eles apresentam uma variedade de respostas individuais que não pode ser explicada por fatores como idade, nutrição ou ambiente.

Assim, a busca por justificativas para efeitos adversos, ineficácia de medicamentos e até morte evoluiu à medida que novos conhecimentos sobre o genoma humano vinham à luz. Dessa forma, a resposta para aquelas perguntas foi muitas vezes encontrada na genética. Essa combinação entre o estudo dos genes com a bioquímica e a farmacologia resultou na farmacogenética, uma das bases da medicina de precisão.

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O futuro da medicina de precisão

Considerada um novo paradigma, a nova ciência trouxe evidências robustas da relação causal entre a composição genética dos indivíduos e a resposta medicamentosa, mostrando padrões de variações fenotípicas de grande importância clínica. A concentração de uma enzima que metaboliza medicamentos, por exemplo, pode ser avaliada antes do início do tratamento.

Além dos testes genéticos, outras tecnologias acabaram incorporadas pela literatura médica à medicina de precisão, como o monitoramento através de biossensores e vestíveis e tratamentos via terapias celulares e gênicas, a maioria deles surgida nos últimos dez anos. Embora a utilização dessas técnicas tenha revelado benefícios evidentes, ainda existem barreiras para sua implementação coletiva, tendo em vista os custos envolvidos.

No Brasil, a medicina de precisão ainda está em seus estágios iniciais, apesar de já existirem diversos grupos dedicados à farmacologia e à genética. Em 2015, foi criada a Iniciativa Brasileira de Medicina de Precisão, que reúne instituições públicas de ensino superior e pesquisa do estado de São Paulo.



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