No fim de julho de 2021, a Square Enix começou a lançar os primeiros jogos da coleção Final Fantasy Pixel Remaster, e agora finalmente recebemos o seu capítulo final com a chegada do aclamado Final Fantasy VI, tido por muitos jogadores como um dos melhores capítulos da série, se não O melhor de todos!

Em linhas gerais, a análise que publicamos sobre a trilogia original (confira também em vídeo logo abaixo!) ainda se aplica ao novo game, que também goza das mesmas melhorias de seus predecessores, como a implementação de um sistema de conquistas, tradução de todos os textos para português do Brasil em ótima localização, e extras perfeitos para os fãs, o que inclui bestiário e galerias de som e de arte.

Mas será que isso basta para valer o investimento de R$70 (no preço tabelado, ou R$ 56 no preço promocional vigente na data de publicação dessa análise) na versão de PC, a que recebemos para análise? Confira todos os prós e contras de Final Fantasy VI Pixel Remaster no review completo a seguir!

A volta de um dos melhores JRPGs da história

Antes de mais nada, convém dar uma repassada básica no que tornou Final Fantasy VI tão querido pelos jogadores. Quando o game original foi lançado em 1994 (ainda com o bizarro nome de Final Fantasy III nos cartuchos americanos, já que o ocidente ainda não tinha recebido os títulos anteriores da franquia), ele representou um salto gigantesco em qualidade narrativa em relação a tudo que existia no mercado até então.

O foco em múltiplos protagonistas e no vasto mundo aberto embalado pela trilha sonora soberba do mestre Nobuo Uematsu marcou gerações! Era impossível não se encantar com a trama sobre o desaparecimento da magia do mundo e a ascensão do Império com as suas máquinas de guerra ultra tecnológicas. Essas criações geravam uma atmosfera steampunk bastante imersiva, ainda mais com o uso do chip Mode 7 para criar lindos gráficos no Super Nintendo.

Para derrotar o marcante vilão Kefka, nos unimos à heroína Terra e seus vários amigos, como o mulherengo Rei Edgar, a General arrependida Celes e o lutador Sabin. Essa trupe lança um convite irresistível para mergulharmos em muito humor e drama com o melhor do DNA romântico típico dos JRPGs, onde o sonho do escapismo une-se a exploração das emoções humanas, seus amores e tragédias, valores que seriam cada vez mais explorados nos capítulos seguintes de Final Fantasy.

O sistema de batalhas ativo, com o medidor de ação sendo sempre carregado aos poucos, ajudava a tornar as lutas ainda mais empolgantes e tensas, especialmente com personagens que possuem funções únicas: o esperto Locke, por exemplo, consegue usar habilidades de furto para roubar itens valiosos, enquanto Sabin utiliza os seus dotes de lutador para invocar os poderosos ataques Blitz!

Aqui já começam a aparecer algumas das pequenas mudanças e melhorias da edição Pixel Remaster, já que agora os golpes de Blitz sempre mostram no canto superior da tela a ordem certa dos comandos que você precisa apertar, eliminando a antiga confusão dos jogadores que penavam um pouco com antigo gameplay super exigente. Você precisa até apertar o botão de confirmar ao fim do movimento para executá-lo, dando mais uma chance de correção pelo caminho! Talvez os puristas considerem que essa adição deixa tudo fácil demais, mas considero uma melhoria clara no sistema.

Mais melhorias no Pixel Remaster!

O sistema mais convidativo de Blitz é apenas um exemplo entre as várias pequenas e grandes melhorias de qualidade de vida que a Square Enix aplicou na nova versão Pixel Remaster. Inclusive, entre todos os seis títulos da coleção, é notório que Final Fantasy VI foi o que recebeu mais capricho e cuidado em todos os departamentos.

Como de praxe, a trilha sonora foi retrabalhada com novos arranjos e orquestrações para as clássicas músicas do Nobuo Uematsu, que participou ativamente do processo de supervisão. Todas as músicas passam a mesma emoção que você lembra, mas agora brilham com mais camadas e detalhes de som, causando absoluto deleite.

A famosa cena da ópera foi a que mais recebeu melhorias, com a maravilhosa música Aria di Mezzo Carattere sendo finalmente cantada em nada menos do que sete idiomas diferentes, mas infelizmente ignorando o português no processo…

Pequenas alterações visuais aqui e ali também acompanham o pacote: a clássica caminhada de abertura da Terra a bordo de uma Armadura Magitek agora não mostra mais os créditos iniciais, ao invés disso permitindo ver o horizonte com mais detalhes. Kazuko Shibuya, o artista original, colaborou para ajudar na transição dos modelos pixelados 2D para a alta definição, preservando o charme de seus designs originais.

A controversa escolha de fonte para os textos continua sendo um problema, que ao menos é facilmente resolvido com mods no computador. Outro ponto negativo é que todo o conteúdo adicional que foi disponibilizado no relançamento para Game Boy Advance ficou de fora do Pixel Remaster, que é mais focado em replicar de forma purista a experiência do Super Nintendo.

Veredito

Final Fantasy VI Pixel Remaster é uma releitura praticamente impecável de um dos mais clássicos jogos de videogame já lançados. O magistral JRPG foi quase que totalmente localizado para português, faltando apenas ter a cena da ópera cantada em nosso idioma, e o mundo e personagens estão mais lindos do que nunca! A trilha sonora dá nova vida às composições icônicas de Nobuo Uematsu, mas a Square Enix continua tropeçando na escolha de fonte de texto. No saldo geral, é uma ótima forma de (re)visitar essa lenda dos games!

“Final Fantasy VI Pixel Remaster é o capítulo mais caprichado — e essencial — de toda a coleção”



TecMundo