Ari Aster conseguiu se firmar como um excelente diretor de filmes de terror. Em Midsommar: O Mal Não Espera a Noite, seu segundo longa-metragem, ele consegue subverter algumas regras do gênero, trabalhando com cenas bastante iluminadas e um uso recorrente do branco.

A trama acompanha a estudante universitária Dani (Florence Pugh), que faz uma viagem a uma comunidade sueca, na casa do amigo de faculdade de seu namorado, Pelle (Vilhelm Blomgren), para participar de um festival pagão que celebra o solstício de verão.

No filme, as coisas não saem como o esperado para o casal principal, e o que seria uma oportunidade para relaxar, conhecer uma cultura ancestral e celebrar a chegada de uma nova estação, acaba se tornando um pesadelo.

Um ritual de suicídio, uma coroação sinistra, traição e assassinatos é o que eles encontram conforme o tempo passa. Mas isso é bastante diferente do que acontece na realidade. Midsommar é um festival sueco real, que realmente celebra o início do verão, mas a partir deste ponto, as coisas mudam bastante do que é visto no filme de Aster.

Como funciona o festival de Midsommar na vida real

'Midsommar: O Mal Não Espera a Noite'.‘Midsommar: O Mal Não Espera a Noite’.Fonte:  IMDb 

O Midsummer Festival é um evento reconhecido oficialmente pelo parlamento sueco desde 1952. Ele acontece anualmente entre os dias 19 e 25 de junho, e aproveita um feriado nacional para reviver algumas tradições locais. No filme, para trazer um pouco mais de drama e urgência à história, o festival ocorre a cada 90 anos.

As cerimônias reais acontecem durante toda a semana, mas a sexta-feira é o dia mais importante (sendo considerado um feriado nacional na Suécia), quando acontecem as principais celebrações. Elas envolvem danças com músicas sendo tocadas ao vivo e também existem muitas flores, que representam a fertilidade. Mas as semelhanças param por aí.

Diferente do que é visto no filme, não há registros históricos que envolvam rituais de suicídio ou outros tipos de sacrifícios humanos. As referências de Aster para isso vem de outras festas pagãs, mas que não possuem qualquer relação com o Midsummer Festival.

Outra diferença importante é que no filme é mostrado um ritual com sexo, mas também não há nada parecido com isso nas celebrações reais. Embora seja um momento para comemorar a fertilidade também, esta é representada pelas coroas de flores.

Para construir a sua narrativa de terror, Aster precisou incorporar diferentes referências no seu filme. Uma delas é a presença de runas, que ajudam a construir um cenário místico e misterioso, mas que é mais um elemento que vem de outras celebrações pagãs.

Vale lembrar que além do festival acontecer todos os anos com reconhecimento oficial, ele recebe diversos turistas e é possível encontrar registros das festas na internet.



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