Baseados em dados alimentares de mais de 102 mil participantes, uma equipe de pesquisadores sugere que o consumo de adoçantes artificiais pode estar relacionado com um maior risco de câncer. Os resultados foram publicados no periódico PLOS Medicine na última quinta-feira (24), e indicam que os riscos são maiores para adoçantes baseados em aspartame ou acessulfame-K.

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) e da Universidade Sorbonne Paris Nord analisaram cerca de 7,8 anos de dados alimentares, registros médicos entre outras informações relacionadas à saúde de voluntários do estudo NutriNet-Santé, um programa que investiga a influência da alimentação no risco de câncer.

Excluindo aqueles que já tinham câncer desde o início do estudo, 3.358 participantes tiveram um diagnóstico de câncer, e 1.345 deles consumiam adoçantes. Ao compararem a incidência de casos de câncer entre aqueles que consumiam os adoçantes com aqueles que não consumiam, os pesquisadores observaram que o risco de desenvolver câncer durante o período do estudo foi cerca de 13% maior entre aqueles que consumiam adoçantes.

Riscos maiores foram observados para aqueles que consumiam aspartame (15%), e a incidência foi maior para câncer de mama (16%) e outros tipos de câncer ligados à obesidade, como coloretal, de estômago, fígado, dentre outros, que juntos possuem um aumento de risco de 13% com o consumo adoçantes.

Limitações do resultado

Pesquisadores dizem que o estudo possuí algumas limitações, e mais experimentos são necessários. (Fonte: Shutterstock)Pesquisadores dizem que o estudo possuí algumas limitações, e mais experimentos são necessários. (Fonte: Shutterstock)Fonte:  Shutterstock 

36,9% dos participantes eram consumidores de adoçantes, e o mais usado foi o aspartame, que correspondeu a 58,3% dos consumos, seguido do acessulfame-K (29,4%) e da sucralose (9,7%). A maior parte do consumo foi realizado através de bebidas, adoçantes de mesa, iogurtes e queijo tipo cottage. Nenhum dos participantes consumiu mais do que a quantidade diária recomendada para o aspartame e acessulfame-K.

No entanto, o estudo aponta algumas limitações nos resultados. Uma delas é que a maioria dos voluntários participantes eram mulheres e pessoas mais velhas, o que pode ter impactado nos dados, embora os pesquisadores digam que testes foram realizados para evitar essa limitação.

Além disso, os autores esclarecem que esses resultados apenas apontam uma possível relação entre o consumo de adoçantes e o risco de câncer, mas não que esse consumo seja necessariamente uma causa direta, e que mais experimentos são necessários para investigar essa relação.

ARTIGO PLOS Medicine: doi.org/10.1371/journal.pmed.1003950



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