Nem só de dancinhas felizes vive o TikTok. Dois ex-funcionários da rede social estão processando o app e a ByteDance, empresa responsável pelo mesmo. As acusações incluem jornadas de trabalho excessivas e a falta de apoio para lidar com situações que envolvam imagens altamente tóxicas e perturbadoras.

Ashley Velez e Reece Young são dois ex-moderadores da plataforma de vídeos, e alegam que o TikTok rompeu com as legislações trabalhistas do estado da Califórnia, nos EUA. A afirmação é corroborada através de um documento do escritório de advocacia Joseph Saveri, o mesmo que já ganhou uma ação contra o Facebook após funcionários passarem por estresse pós-traumático. A rede social de Zuckerberg foi condenada a pagar US$ 52 milhões para as vítimas.

Young e Velez eram alguns dos encarregados que deveriam analisar e remover conteúdos gráficos inapropriados do TikTok, contudo, as jornadas de trabalho excessivas desgastaram os funcionários. As cotas diárias chegavam a 12 horas de trabalho com apenas 1 hora de almoço, e duas pequenas pausas de 15 minutos. Os dois ex-funcionários tinham apenas 25 segundos para realizar a análise de um vídeo, e deveriam ter uma média de precisão de pelo menos 80%.

Alguém precisava fazer o “trabalho sujo”

Além disso, o problema se agravava com o tipo de conteúdo que estavam lidando. Velez e Young alegam que foram expostos, sem nenhum tipo de acompanhamento ou suporte psicológico, à “imagens extremamente perturbadoras e tóxicas no ambiente de trabalho”. São citados casos de violência contra crianças, necrofilia, extremismo, discurso de ódio e bullying.

TikTok já removeu mais de 90 milhões de vídeos que contenha algum conteúdo impróprioTikTok já removeu mais de 90 milhões de vídeos que contenha algum conteúdo impróprioFonte:  Shutterstock 

O documento revela que existem cláusulas contratuais específicas para que os conteúdos dos vídeos sejam mantidos apenas dentro do ambiente, e não “levados para fora”. Em entrevista ao NPR, Velez comenta que “alguém tinha que sofrer e ver aquelas coisas”.

O ponto central da acusação é que tanto o TikTok quanto a ByteDance falharam em prover assistência psicológica e cuidados específicos, forçando que os funcionários procurem ajuda por conta própria após níveis de estresse e danos psicológicos severos.

Em nota, o TikTok afirma que se esforça para promover um ambiente de trabalho atencioso para seus funcionários, e os moderadores “recebem uma variedade de serviços de bem-estar para que se sintam apoiados emocionalmente e mentalmente”.



TecMundo