*Este texto foi escrito por uma colunista do TecMundo; saiba mais no final.

Pela primeira vez foi observado um novo tipo de explosão estelar: as micronovas!

As micronovas, como as novas e as supernovas do tipo Ia, estão associadas a explosões tardias em anãs brancas. Mas o que são as anãs brancas? São remanescentes estelares. Ou seja, é o que resta quando estrelas de baixa massa, como o Sol, morrem.

E as características principais desses objetos são que eles são pequenos, muito densos, não queimam hidrogênio e são sustentados pela pressão de degenerescência de elétrons. Isso significa que o peso da anã branca é sustentado pelos elétrons comprimidos uns contra os outros. Mas existe um limite de peso que os elétrons podem sustentar.

Mesmo sendo objetos mortos, existem eventos que podem gerar explosões em anãs brancas. Até então conhecíamos as novas e as supernovas. O primeiro tipo de explosão a ser descoberto foram as novas, e o nome tem origem que eram “novos” objetos no céu. Mesmo sem sabermos a origem física desses objetos, a explosão aparentava ser uma “nova” estrela no céu, e originou o nome. Em seguida, descobriu-se a supernova. O nome indicava que a explosão era mais energética que a nova em si.

Hoje sabemos que ambos eventos acontecem quando anãs brancas roubam material de uma estrela companheira. Esse novo material pode ser queimado em diferentes tipos de explosão que recebem diferentes denominações. Para a nova, o hidrogênio recém acretado (adquirido) é queimando em toda a superfície da anã branca. Já a supernova acontece quando o hidrogênio remanescente da anã branca também é queimado e além disso uma grande parte do material é ejetado do objeto, podendo chegar a destruir completamente a anã branca.

O que é uma micronova?

Como o nome sugere, a explosão em si é menos energética que a nova e a supernova. E o processo físico é observado pela primeira vez!

Anãs brancas com campos magnéticos muito fortes podem redirecionar o hidrogênio recém acretado para seus polos, processo semelhante aos das auroras boreais na Terra. Esse hidrogênio concentrado nos polos é queimado de forma local. Pela primeira vez, foi comprovado que o hidrogênio que queima em anãs brancas pode ser feito em locais isolados, não necessariamente em todo o objeto!

Apesar de o nome carregar a palavra “micro”, não se enganem, essa explosão ainda é muito violenta. Em uma única micronova, podemos queimar uma massa de 20.000.000 trilhões de kg!

Apesar de ter sido observado pela primeira vez, acredita-se que essas explosões sejam mais comuns, mas como duram poucas horas, é difícil detectá-las a tempo. A equipe por trás dessa descoberta é da Universidade de Durham, e analisando os dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite – NASA) eles notaram variações muito rápidas para serem novas ou supernovas. Em seguida, com observações utilizando o VLT (Very Large Telescope – ESO), eles confirmaram que a origem das micronovas eram anãs brancas, fechando a teoria de origem dessas novas explosões.

Camila de Sá Freitas, colunista do TecMundo, é bacharel e mestre em astronomia. Atualmente é doutoranda no Observatório Europeu do Sul (Alemanha). Autointulada Legista de Galáxias, investiga cenários evolutivos para galáxias e possíveis alterações na fabricação de estrelas. Está presente nas redes sociais como @astronomacamila.



Olhar Digital