Um estudo publicado no Journal of Clinical Pharmacology, mostrou que muitos suplementos alimentares podem estar contaminados com substâncias potencialmente perigosas não descritas nas embalagens. Na pesquisa, foram usados 1.068 suplementos sexuais e de perda de peso comercializados entre 2007 e 2021. O estudo foi feito com produtos vendidos nos Estados Unidos.

O cientista C. Michael White, autor do estudo e professor na Universidade de Connecticut (EUA), usou uma base de dados da Food and Drug Administration (FDA) e descobriu que muitos suplementos alimentares continham sibutramina, um remédio usado para o tratamento da obesidade e removido do mercado americano em 2010 — o FDA descobriu que a medicação aumentava as chances de causar infartos e derrames nos consumidores.

Também foi encontrada a fenolftaleína, uma substância semelhante classificada como “não reconhecida como segura e eficaz” e removida do mercado em 1999. Nesse caso, o ingrediente pode aumentar o risco de câncer.

Os ingredientes ocultos dessas suplementações podem causar reações gravesOs ingredientes ocultos dessas suplementações podem causar reações gravesFonte:  Unsplash 

“Meu estudo também identificou a presença de ingredientes aprovados apenas para uso em medicamentos prescritos. Estes incluem sildenafil e tadalafil, que são usados em medicamentos para disfunção erétil aprovados pela FDA, como Viagra e Cialis”, escreveu White em artigo publicado no site The Conversation.

Suplementos contaminados

Segundo a pesquisa, os ingredientes ativos dos suplementos sexuais podem causar ereção peniana prolongada e perda de visão. Outro problema é que as misturas dessas substâncias não foram estudadas para entender e viabilizar a segurança dos consumidores.

Além disso, os ingredientes “secretos” podem causar risco de interações medicamentosas graves, principalmente em consumidores que usam outros remédios. Por exemplo, quando a suplementação sexual é usada com medicamentos para pressão alta, pode facilitar quedas de pressão arterial com risco de vida.

É importante destacar que os suplementos alimentares pesquisados foram comercializados nos Estados Unidos — atualmente, são vendidos mais de 29 mil produtos do tipo no país. Segundo o pesquisador, um dos grandes problemas é que o processo de avaliações do FDA é subfinanciado, então, nem todos os suplementos alimentares contaminados que estão no mercado americano são detectados.



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