Fica batido escrever, mas todo mês temos o lançamento de um jogo de construção de cidades. Muitos deles possuem premissas simples e já conhecidas, enquanto outros tentam inovar no mercado de games.

Agora, títulos que possuem foco em colonização planetária ainda não entraram nessa linha de produção massiva. Recentemente tivemos bons lançamentos nessa área, como Surviving Mars e o excelente RimWorld.

Uma particularidade existente neste nicho é que muitos tentam simular como seria a realidade, fazendo com que o processo seja um pouco complexo. Mudando de postura, surgiu Ragnorium, desenvolvido por Vitali Kirpu e publicado pela Devolver.

Para quem não o conhece, o finlandês foi a mente por trás de Pixel Piracy, um game de ação roguelike com temática naval, lançado em 2015 para computadores.

Da água para o vinho

Muito se diz sobre desenvolvedores que acabam mudando demais o seu escopo de trabalho. Creio que este foi um dos grandes desafios do Kirpu, que saiu de uma temática única para o mundo da construção de cidades.

Em Ragnorium, você comanda Hermes-1. Considerada uma das maiores invenções da humanidade, ela é uma estação colonial capaz de criar vida e tecnologia em ambientes inóspitos, seja um deserto ou um local tomado por outros seres.

Ao começar sua aventura, o jogador poderá optar por 6 planetas para realizar seu trabalho. Cada local possui características únicas, com vidas e cenários totalmente distintos.

Entre eles existe o planeta vermelho, conhecido como ERAN-02, onde o jogador inicia sua jornada, como forma de ter um pouco mais de domínio sobre as mecânicas de jogo. Temos também uma terra tropical, chamada SAHRON-03 e o TANAS-06, que é controlado por inimigos.

Além de escolher o contexto de jogo, ainda é possível designar uma nave específica para o processo de colonização, cada uma com características distintas. Nelas você seleciona elementos para começar sua aventura, como suprimentos médicos, alimentícios.

Paciência e dedicação

Ragnorium é um game que necessita de muito tempo. Primeiro porque todo o desenrolar da construção planetária é feita ponto a ponto. O jogador comanda alguns clones que farão todo o serviço no território recém ocupado.

Cada detalhe foi colocado de forma minuciosa no jogo. Para se ter uma ideia, ao construir uma casa é necessário colocar paredes, portas, escadas e teto. Até parece que estamos jogando Fortnite, mas em velocidade de tartaruga.

E para que tudo ocorra é necessário designar manualmente cada um dos personagens, o que torna a tarefa mais árdua.

Mas tudo não para por aí. O início ainda é mais tortuoso se você levar em consideração que os menus são patéticos e mal feitos. Já viu aquelas telas de programadores, com um monte de códigos e letras estranhas? É bem por aí.

Eles não ajudam em nada e dificultam a leitura de tudo o que acontece em Ragnorium. Infelizmente isso diminui demais a experiência e potencial que o título possui.

O título não consegue fazer com que o jogador tenha conhecimento de tudo o que está acontecendo. É muito fácil perder noção do gerenciamento. Tudo é muito confuso e pouco explicativo.

Soa estranho

O mesmo pode ser dito da arte utilizada no jogo. Em certos momentos tive a impressão de me aventurar em cenários interessantes e surpreendentes. Só que, ao mesmo tempo, as cores saturadas e a falta de polimento torna tudo meio grosseiro.

Junte a tudo isso as informações e menus citados mais acima. Tudo ficou muito saturado e pouco agradável para se divertir.

Por mais que o jogo não apresente problemas de otimização, infelizmente tudo ficou muito poluído. Dificilmente este game seria aprovado na Lei Cidade Limpa, aqui de São Paulo.

Piadas à parte, a realidade é que em muitos momentos temos um gráfico cartunizado, com uma granulação acima do normal e uma paleta de cores bem suspeita e pouco convidativa.

Lógico que teríamos uma exceção à regra e ela é a trilha sonora. A música utilizada em todo o jogo reflete aquilo do que poderíamos esperar de um jogo focado em uma colonização planetária.

Uma pena que ela não é suficiente para ajudar na melhora e imersão do jogo. É como tentar tapar o sol com a peneira.

Vale a pena?

Ragnorium possui mais erros do que acertos. Eu simpatizo muito pelo tema e gostaria de ter criado um grande laço com o título, mas infelizmente não foi possível.

Isso aconteceu devido as decisões erradas de implementação de tudo que cerca um jogo deste gênero, desde a usabilidade dos menus, até a escolha do estilo gráfico.

Tudo conspira para o fracasso do jogo, por mais que ele tenha ingredientes interessantíssimos e complexos, como jamais foi visto.

Ragnorium foi cedido gentilmente pela Devolver para a realização desse review.



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