Houve um tempo em que os jogos de plataforma reinavam soberanos nos videogames! Do começo dos anos 80 até o final da década seguinte, o que mais víamos por aí eram mascotes saltando em seus inimigos e superando obstáculos na base de muito reflexo e perspicácia. Nem todos chegaram ao mesmo nível de fama que Mario e Sonic, claro, mas vários heróis conquistaram o seu próprio nicho de fãs, como é o caso do fofo Klonoa.

Quando a Bandai Namco lançou o primeiro game da série para o PlayStation 1 em 1997, o gênero já estava começando a entrar em um lento declínio graças ao advento dos hardwares com suporte a 3D e a popularização dos jogos de tiro em primeira pessoa, mas ainda assim o seu charme e boas mecânicas conseguiram fazer a franquia emplacar. Em Phantasy Reverie Series, temos uma chance legal de revisitar esse momento tão interessante do gênero bem no epicentro dessa fase de transição entre os jogos retrô e os mais modernos.

Além de Door to Phantomile, a primeira aventura de Klonoa no PS1, o novo pacote inclui também Lunatea’s Veil, lançado em 2001 para o PS2. Zerar os dois jogos acaba funcionando como uma bela viagem no tempo para os nossos leitores mais velhos e nostálgicos, ou mesmo como uma eficiente aula de história para quem quiser dar uma olhadinha em como eram alguns dos melhores títulos de plataforma dessa época, ainda que ambos estejam de cara nova em Phantasy Reverie Series.

Mascote de cara (semi)nova

A fronteira entre remasterizações e remakes às vezes é um tanto nebulosa, e acaba ficando ao gosto do freguês cravar a palavra certa. Mas seja como for, o fato aqui é que jogar o game original no PS1 é uma experiência consideravelmente distinta da versão mais nova, ainda que valha a pena explorar algumas letras miúdas inerentes à proposta dessa coleção.

Acontece que Door to Phantomile já tinha sido repaginado para uma versão exclusiva do Nintendo Wii em 2008, e ele sim era um remake substancial em relação ao clássico. O game rebatizado apenas como Klonoa tinha gráficos totalmente refeitos, deixando para trás aquela cara mais quadriculada dos objetos e inimigos ultra poligonais, eliminando assim a sensação de que o mascote existia em uma dimensão diferente do restante do jogo, quase como se fossem camadas diferentes de imagens se sobrepondo — o que, a meu ver, tinha lá o seu charme.

No remake ficou tudo mais redondinho, moderno e bonito, sem falar na adição de novos ângulos para as cutscenes. Mas o que mais importa nessa explicação é que foi justamente essa versão que serviu de base para Phantasy Reverie Series, então é como se o remake de Wii agora tivesse sido portado com suporte a alta resolução em 4K e visual ainda mais bonito nos novos consoles. Se isso ainda conta como remake, ou se agora passou a ser um remaster bem melhorado, aí fica a seu critério.

O curioso é que como Lunatea’s Veil foi lançado uma geração depois, o seu estilo original de fábrica já não era nada muito diferente do que vimos no remake de Wii, então basicamente foi aplicado o mesmo capricho na hora de transpor esses jogos para a nova geração, chamando mais atenção a forma como a sequência possui algumas mecânicas mais polidas, profundas e inventivas que o primeiro Klonoa. Assim, a apresentação dos dois ficou bem coesa.

Se você nunca jogou…

Mas como exatamente funciona o mundo de Klonoa? Eu gosto de pensar nesse mascote como uma mistura de Kirby, Donkey Kong e Mario, mas em um mundo 2.5D. Ele não faz nada de particularmente inédito ou revolucionário, mas tudo bem, porque as coisas que ele pega emprestado acabam rendendo uma mistura com identidade própria e que desce redondinha!

De Kirby veio a ideia de poder pegar os seus inimigos e então arremesá-los de volta como projéteis, enquanto Donkey Kong Country parece ter sido a inspiração principal para a exploração e os itens que pegamos pelo caminho, além dos colecionáveis escondidos em cada cantinho dos cenários. E Mario, claro, é a base das mecânicas de plataforma em scroll lateral, além de inspirar a tela de seleção de fases.

Os dois games não são muito longos se você quiser só zerá-los com pressa, levando um pouco mais de três/quatro horas para fechar Door to Phantomile, ou seis/sete horas para Lunatea’s Veil, mas o tempo pode ser bem esticado se você optar por tentar pegar todos os cristais, bolhas com músicos, e demais coletáveis dos jogos, o que rende um bom fator replay para os complecionistas de plantão!

Algumas opções legais

Embora não sejam jogos terrivelmente desafiadores ou punitivos por si só — Pense em algo na linha dos primeiros jogos de plataforma do Yoshi, que não chegam a segurar a sua mão, mas ainda assim possuem segmentos mais complicados aqui e ali —, os jogadores mais novos ou casuais podem se divertir com a adição de um modo fácil que garante vidas infinitas. Na primeira vez em que você joga, só o modo fácil e normal estão disponíveis, então se você é experiente nem hesite em começar direto pelo normal!

No Easy você também aumenta um pouco o alcance com que consegue agarrar os inimigos, e em ambas as dificuldades você pode jogar com um amigo se assim desejar, embora ele não chegue a controlar outro personagem. Na verdade, ele serve mais como um poder para te ajudar nos pulos, e pode ser uma boa pedida para quem vai jogar com parentes bem mais jovens ou quiser mais uma ajudinha pontual.

Outra adição digna de nota para quem se importa com isso é o suporte a conquistas e troféus, embora você só possa obter uma única platina já que os desafios de ambos os jogos foram integrados em um só pacote, e nem são lá tantos troféus assim para começo de conversa. Então basta zerar e correr atrás dos coletáveis para ter mais um jogo devidamente completo na sua coleção. Aliás, um pouco mais de atrativos faria bem ao pacote, como as diferentes missões que foram adicionadas em Sonic Origins, por exemplo…

Vale a pena?

Klonoa Phantasy Reverie Series reúne dois excelentes jogos de plataforma em um só pacote, e eles continuam funcionando muito bem tanto para o público mais velho como para quem vai experimentá-los pela primeira vez. Só faltou mesmo ter localização em português para todos poderem acompanhar a divertida narrativa que mistura momentos de fofura e tristeza, e quem sabe uma lista de troféus separada para cada jogo, além de uma opção para curtir as versões originais com os gráficos da época, presente em várias outras coletâneas. Ainda assim, é um pacote muito decente para os fãs de plataforma!

Nota Voxel: 84

“Klonoa Phantasy Reverie Series traz dois jogos de plataforma maravilhosos em um charmoso pacote”

Pontos positivos

  • Ambos os jogos resistiram bem ao teste do tempo
  • Adição de modo fácil para o público casual
  • Belo visual em 4K
  • Personagens e mundos adoráveis com ótimo gameplay

Pontos negativos

  • Falta de localização em português
  • Sem opção para jogar as versões originais
  • Podia ter extras como galerias e missões bônus



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