7 músicas para conhecer melhor a carreira de Moraes Moreira | Música

7 músicas para conhecer melhor a carreira de Moraes Moreira | Música


Baiano da pequena Ituaçu, Antonio Carlos Moreira Pires — ou apenas Moraes Moreira — embalou as festas de um Brasil inteiro. Do rock ao samba, passando pelo forró, axé ou frevos, o cantor e compositor deixou sua marca na MPB durante mais de 50 anos de carreira.

Aos 72 anos, Moraes Moreira foi encontrado morto em sua casa, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 13, após sofrer um infarto, segundo sua assessoria.

“Deixa saudade e uma grande obra”, escreveu Gilberto Gil, em homenagem ao amigo e conterrâneo.

Para relembrar a carreira desse artista que fez história com o grupo Novos Baianos e em carreira solo, a BBC News Brasil selecionou sete músicas para conhecê-lo melhor. Confira:

“Assim eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca”.

Com letra de Luiz Galvão, Moreira musicou aquele que seria um dos maiores sucessos dos Novos Baianos. A canção faz parte do álbum Acabou Chorare, de 1972, e não demorou muito para virar febre nas rádios pelo país.

O grupo foi formado em 1969, em Salvador, do encontro de Luiz Galvão, Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo, hoje conhecida como Baby do Brasil. Em 1970, lançaram o primeiro LP, É Ferro na Boneca, com rock e inspirações psicodélicas e da Jovem Guarda.

A letra de Preta Pretinha, repetitiva, vem de um romance frustrado de Galvão com uma jovem de Niterói (RJ), como ele contou no livro Anos 70: novos e baianos — daí a referência à barca, que liga o Rio de Janeiro à cidade do outro lado da Baía de Guanabara.

Não é exagero dizer que o carnaval brasileiro tem uma mão de Moraes Moreira.

Foi com a marchinha Pombo Correio, em 1978, que a arte de Moreira ganhou as ruas em fevereiro. Até então, os trios elétricos de Salvador, criados por Dodô e Osmar, tocavam apenas música instrumental.

Por isso, Moreira é considerado o primeiro cantor de trio elétrico do Brasil, abrindo o caminho para uma geração de artistas da Bahia.

Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira

Moraes Moreira contava que a ideia dessa canção surgiu após uma noitada no Rio de Janeiro, junto ao seu amigo João Gilberto.

A presença do carioca na comunidade dos Novos Baianos, que passaram a morar no Rio, é considerada essencial para o caráter múltiplo do grupo, fundindo samba, frevo, baião, rock, etc.

“Numa daquelas ladeiras maravilhosas do Rio, João viu uma mulata descendo de manhã com todo o suingue, toda energia, partindo pra vida, mas sem se queixar de nada. Ele olhou e disse: ‘Olha lá o Brasil descendo a ladeira’. E daí nasceu essa música”, declarou Moreira na gravação do acústico MTV, em 1995.

O sucesso está no disco solo homônimo, lançado em 1979 e que consolidou a carreira de Moreira nos anos seguintes.

Do mesmo disco Lá vem o Brasil descendo a ladeira, veio outro hit de Moreira: Chão da Praça. A canção é considerada uma das antecessoras do que viria a ser rotulado como axé music na década de 1980. A música é uma composição de Moreira com o cearense Fausto Nilo.

No livro Sonhos Elétricos, Moreira contou qual foi a ideia para a composição: ” Era na verdade uma grande homenagem à praça do Poeta, que já vinha sendo referenciada também por outros artistas.”

A praça em questão é a Castro Alves, no coração do centro de Salvador, em homenagem ao autor de O Navio Negreiro. A canção segue sendo um dos hinos do carnaval da Bahia.

Com composição conjunta com Luiz Galvão e Pepeu Gomes, Besta é Tu ficou imortalizada na voz de Moraes Moreira. A canção também faz parte do Acabou Chorare, o álbum mais emblemático dos Novos Baianos.

“Besta é tu” é, na verdade, uma forma de aprendizado de violão, chamada assim no interior da Bahia onde Moreira nasceu.

“É no tom de Lá menor, que é o primeiro tom que a pessoa aprende. Quando consegue fazer o besta-é-tu, é uma felicidade”, demonstrava Moreira em seus shows.

Em 1980, Moares Moreira lançou o LP Bazar brasileiro, em carreira solo. Em parceria com Jorge Mautner, um dos grandes nomes da MPB, compôs a música de Lenda do Pégaso, uma fábula em forma de canção, comprovando o teor criativo e inovador do trabalho de Moreira.

A canção quase infantil é sobre um passarinho tido como feio que queria ser outras aves, enxergando nelas qualidades que não possuía.

“Aí então Deus chegou e disse: pegue as mágoas, pegue as mágoas e apague-as. Tenha o orgulho das águias. Deus disse ainda: é tudo azul, e o passarinho feio virou o cavalo voador, esse tal de Pégaso”, encerra a música.

Também parte de Acabou Chorare e também da parceria entre Moreira e Luiz Galvão, Mistério do Planeta é um dos sucessos que permanecem na boca dos brasileiros até hoje.

“Vou mostrando como sou. E vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo. Andando por todos os cantos”, começa a canção.

É uma das músicas que mostra um dos aspectos importantes da música dos Novos Baianos e Moraes Moreira, que é a incorporação de diversas vertentes musicais e a ode à liberdade artística.

Em 17 de março, Moreira publicou o seu último post no Instagram, com um cordel sobre a quarentena, onde escreveu: Vivemos num mundo insano. Queremos mais liberdade. Pra que tudo isso mude. Certeza, ninguém se ilude. Não tem tempo, nem idade”.



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